Um hóspede do barulho PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Ter, 31 de Agosto de 2010 09:25

Pesquisadores brasileiros desvendam estratégias da vespa que manipula o cérebro de baratas e as transforma em almoço vivo para seus bebês.

 

Se algum animal resolvesse dominar o planeta, provavelmente ele seria a vespa Ampulex compressa. A nossa sorte é que esse inseto de cores psicodélicas e cintura de pilão se conteve apenas em transformar baratas em zumbis. Agora, pesquisadores descobriram que ela é ainda mais maquiavélica do que se imaginava. Além de manipular as baratas para que sejam devoradas vivas, a vespinha também faz planejamento familiar: quando a presa é grande, ela coloca dois ovos nela, em vez de um só.

 

"Ou ela sabe quais tipos de ovo vão ser botados ou é capaz de controlar o acesso à bolsa de esperma que carrega", diz o biólogo Eduardo Gonçalves Paterson Fox, pesquisador da Unesp de Rio Claro. Fox e seus colegas conseguiram montar uma colônia di insetos fabricante de zumbis por pura sorte - um exemplar da espécie invadiu o laboratório deles e foi capturado.

 

A primeira coisa que a vespa faz é dar duas ferroadas na presa. A segunda acerta a área do cérebro responsável pelo reflexo de fuga. Com isso, a barata se torna um morto-vivo, incapaz de ir a qualquer lugar por vontade própria. Depois, ela corta as antenas da barata e começa a sugar o seu sangue, conhecido como hemolinfa. Mas o pior está por vir. "Ela põe seu ovo no 'sovaco' da presa, num lugar que a barata não consegue alcançar. A larva também suga o sangue, até abrir um buraco. Aí ela entra no corpo da barata e começa a destruir os seus órgãos, até sobrar apenas a casca", diz o biólogo.

 

Entender o inseto não é mera curiosidade mórbida. Como seu veneno manipula de forma precisa os neurônios da presa, é provável que, no futuro, os cientistas o usem como base para remédios contra doenças do cérebro - como o mal de Parkinson, ligado a uma disfunção nas células cerebrais que controlam os movimentos do corpo. (Reinaldo José Lopes)

 

Fonte: Revista Galileu, Abril, 2009, pag. 18

 

 

 

 

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